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Individualidade
Individualidade
pode ser definida como o conjunto de atributos que constituem a
originalidade, a unicidade de uma criatura, e que a distinguem de
outras tantas; é o somatório das características inerentes à alma
humana. Toda criatura que se individualizou tornou-se um ser homogêneo,
pois não mais procura comparar-se com os outros, admite a sua
singularidade. O
ser vivente, atravessando inúmeras etapas evolutivas através das mais
diversas encarnações, traz consigo uma gama imensa de traços de
personalidade acumulados nas vidas pretéritas, assemelhando-se a
verdadeiras "fotocópias do passado". Por
não termos uma percepção clara de nossa real identidade é que somos
escravos da opinião alheia. Em
determinadas fases de nossa vida, pensamos ser aquilo que os outros
pensam que somos. Somos dependentes. Em outras deixamos a dependência e
a submissão aos outros e nos tornamos unicamente vinculados àquilo que
pensamos de nós mesmos. Somos independentes. Entretando,
quando tudo sugere tranquilidade e certeza, surge um vazio existencial;
parece faltar algo de fundamental em nossas vidas e entendemos que
estamos ainda na superfície de nossa intimidade. Aí se inicia a busca
mais profunda em nosso interior - o processo de individuação. A
máscara de autonomia que usávamos cai e descobrimos que representava
apenas um compromisso entre nós e a sociedade quanto àquilo que alguém
aparenta ser: nome, sexo, nacionalidade, título, profissão ou ocupação.
Na realidade, todos esses dados são verdadeiros; mas, quando se trata
de nossa individualidade profunda, eles pouco representam, pois estão
ligados às realizações externas e aos objetivos do ego. O
passo essencial no processo de individuação é a retirada de nossa máscara
ou persona - personalidade que nós apresentamos aos outros como real,
mas que em muitas ocasiões, difere consideravelmente da verdadeira. Embora
a máscara tenha funções psicológicas importantes para a nossa proteção
em certos períodos da vida, ela também turva e oculta o nosso
"Eu" real, ou seja, a alma. Para
nos tornarmos um indivíduo, são necessários o exercício do
autoconhecimento e uma constante auto-observação, para que possamos
distinguir com nitidez o que somos agora e o que fomos ontem, sem querer
acomodar todos os pontos de vista das pessoas com as quais convivemos. Individualizar-se
é reconhecer a própria maneira de desenvolver-se física, emocional e
espiritualmente. Os
Benfeitores Espirituais enfatizam que as leis divinas "devem ser
apropria das à natureza de cada mundo e proporcionais ao grau de
adiantamento dos seres que os habitam".
Ao
nos identificarmos com nosso "Eu" mais profundo, reconhecemos
que somos espíritos imortais e, por consequência, emerge de nossa
intimidade uma consciência liberta do mundo mesquinho, dimuto e pessoal
do ego. Aberta a uma postura ética de participação nos interesses
coletivos, a consciência identifica-se com uma cosmovisão, onde todas
as coisas estão ligadas por sutil e complexa malha de fios invisíveis.
Extraído
de livro "Os Prazeres da Alma, Uma
reflexão sobre os potenciais humanos.
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