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Um Paradigma Novo
Temos uma Psicologia
que ainda é repetitiva e dá voltas. Que muitas vezes analisa o ser
como se ele fosse isolado. Que às vezes é massacrante, apontando o
lado negativo e não oferecendo ferramentas para suplantá-lo. Que
mecaniza o indivíduo como um robô bem orientado. Que, impotente,
curiosa e especulativa, enxerga a pessoa fragmentada, de acordo com o
paradigma newtoniano-cartesiano. Mas seu crescimento é um fato ainda
mais concreto desde a utilização de um novo paradigma como base teórico-prática. E o que é o novo
paradigma?
Primeiramente quero
conceituar o que é um paradigma. O paradigma está ligado a um conjunto
de crenças que acabam tornando-se o ponto de referência ou o modelo
para uma conduta em determinada área, que acabam se tornando um método
de direcionamento. Antes de expor o novo,
quero me deter de forma simples no velho paradigma
newtoniano-cartesiano. Nos séculos dezesseis
e dezessete, a noção de universo modificou-se enormemente. Houve a
substituição da visão organicista, em que o universo era vivo e
espiritual, por uma noção de mundo mecanizado. Dessa forma. O estudo
relacionado à Física e à Astronomia tomou um rumo matemático,
diferentemente do ocorrido no séc. treze, quando a ciência
encontrava-se voltada para a compreensão e o significado das coisas,
sem a tentativa de controlar e dominar a natureza. Com essa visão
mecanicista, a ênfase passou a ser o concreto, o material, o palpável
e o mensurável. Desqualificando e invertendo os pontos de abordagem
anteriores, o que provocou um grave desequilíbrio. De acordo com esse método
cartesiano referente ao filósofo René Descartes, a fragmentação
instalou-se na nossa forma de pensar e de considerar o universo.
Paralelamente, nossos métodos de tratamento em diversas áreas seguiram
esse rumo, enfatizando uma abordagem mecânica também do ser humano. Aqui, a Psicologia se
enveredou por teorias e técnicas em que a pessoa era vista como
fragmentada, tendo partes isoladas e sem possibilidade de integração
dentro de si mesma. Por intermédio de
Isaac Newton, astrônomo inglês brilhante, surgiu a Física Matemática,
e o mundo passou a ser visto como uma máquina, materialmente falando,
nada existindo de vida ou espiritual na matéria. Para ele, tempo e espaço
eram absolutos e independentes do mundo material. O tempo era
considerado linear, e o espaço, tridimensional, absoluto e constante. Descartes e Newton não
negavam a existência de Deus, muito pelo contrário. Mas para eles matéria
era matéria, independentemente do observador. Dar crédito ao
paradigma newtoniano-cartesiano durante quatro séculos enrijeceu o lado
mais transcendente do ser, mas por outro lado, possibilitou grandes avanços
em diversas áreas. Com a chegada do séc.
vinte – e por meio do grande cientista e matemático dessa era, Albert
Einstein -, nossa maneira de ver o universo modificou-se mais uma vez.
De certa forma, ela retornou à percepção de mundo do séc. treze,
isto é, a um prisma mais integral. Os estudos da Física
Quântica abordam diversos temas ligados à energia e têm despertado um
novo conhecimento, interesse e postura por parte de vários
profissionais no mundo – e a Psicologia está inclusa aqui. O novo paradigma é a
abertura para A VISÃO HOLÍSTICA, onde tempo e espaço são relativos,
interdependentes e interligados. O espaço é considerado
quadrimensional, e o tempo não é linear. O universo, sob a ótica da Física
Moderna, é um todo dinâmico, indivisível, e suas partes são
inter-relacionadas. Dessa forma, métodos
ligados à Psicologia, como a Psicologia Transpessoal de Groff, a
Parapsicologia e a Terapia de Vidas Passadas, (incluiríamos
a Psicoterapia Reencarnacionista) tem se beneficiado com os
conceitos advindos das grandes descobertas da Física Moderna. Aqui o
homem não é só percebido individualmente, mas como um ser
inter-relacionado, interconectado consigo mesmo e com seus aspectos
socioeconômicos, familiares e espirituais. Portanto, no novo
paradigma, o abstrato é valorizado, assim como o lado vivo e
espiritual. E o que é a
Psicologia? É de fato o
que de mais abstrato existe em termos de conceitos, apesar de podermos
materializar esses conceitos em ações. Como em toda a mudança,
há resistências em várias áreas de trabalho. E isso é natural, pois
modificar um referencial é ter de “mexer” em uma lata de lixo
tampada e acomodada há um bom tempo. Mas, como paradigmas não são verdades
únicas, absolutas e eternas, e sim um direcionamento, o caminho está
livre e aberto para novos estudos, descobertas, conceitos e métodos. Para isso
precisamos ter a coragem de arriscar. Extraído do livro de
pesquisas da psicóloga Simone Martins.
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